Desculpa, mas eu tenho medo de te amar

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Hoje quando eu acordei com a sua ligação, sabia que o dia ia ser longo e me traria surpresas, confesso que senti até um arrepio na espinha, não poderia saber o que aconteceria. Você estava agitado e me chamara para ir ao cinema ver um filme qualquer, eu até perguntei o motivo de tanta agitação, mas você disse que não era nada, então eu simplesmente concordei e disse que iria sim com você. Passei a manhã agoniada, levantei e fiz um café, tomei banho e me ajeitei pra você.

Sim, pra você.

Coloquei um vestido que você já tinha elogiado, prendi o cabelo, e desci assim que você mandou mensagem avisando que já tinha chegado e estava me esperando. Quando te vi, senti meu coração querendo sair pela boca. Te ver era como presenciar o céu durante uma chuva de meteoros, único e enlouquecedor. Você perguntou como eu estava, se tinha me acordado mais cedo e que se eu tinha escolhido o filme ou se realmente iríamos ver qualquer um. Eu respondia todas as suas indagações e tentava não demonstrar o quão feliz eu ficava com as tuas preocupações.




Você me olhava de forma diferente e eu estava querendo fugir dos seus olhares, gostar de você era meu segredo mais profundo e se você soubesse iríamos escorregar por uma ladeira sem volta, não existiria mais amizade e amor entre amigos não era algo que sempre dava certo, mesmo que eu me passasse mil noites vendo “O casamento do meu melhor amigo”, eu sabia que eu e você não poderíamos acabar como a personagem da Júlia Roberts e o personagem do Dermot Mulroney. Quando chegamos ao cinema, você escolheu um filme de romance, e isso era estranho, porque você nem gostava tanto assim desse tipo de filme, depois de conversarmos e escolhermos os lanches, você segurou a minha mão, e eu a soltei, mas você a segurou de novo. Isso era loucura, você nunca tinha feito esse tipo de coisa e eu já começara a achar uma péssima ideia ter levantado da cama. Deixei você segurar a minha mão durante todo o filme, você me olhava e eu já sabia o que você queria me dizer, mas não daria certo, minha mente repetia isso pra mim mesma sem parar, você e eu éramos compatíveis como amigos, mas como namorados, eu não conseguia acreditar numa forma de dar certo, apesar de amar você. Foi então que no caminho de casa, você disse, as palavras mágicas, você me amava.

E eu travei, travei por medo, insegurança, aflição, eu não sabia o que falar, quando me dei conta eu já estava fora do carro e você tentava me segurar e eu só conseguia gritar com você, não vai dar certo, não vai dar certo. E então você parou, seu rosto vermelho e com algumas lagrimas, sua voz sussurrando o quanto me amava. E então eu te mandei embora. – Eu sinto muito – essas foram as ultimas palavras que deixei o vento levar até você. Eu não sei como te amar, eu tenho medo, e o medo nos impossibilita, eles nos torna incapaz de fazer algo por nós mesmos ou pelos outros. Eu te vi indo embora e meu coração se partindo. Tudo isso, por medo de me entregar. Eu sinto muito, queria apenas que você soubesse que o amor que sinto por você é o meu segredo mais profundo.

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