VIDAS DE PAPEL

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Ao rolar o explore do Instagram, notei que estava insatisfeita comigo. Não sou de reparar nos outros – faz um longo tempo que aprendi a aceitar quem sou e inclusive a parar de pedir desculpas por isso – mas isso me levantou uma necessidade de alerta pra mim e após algumas conversas, para outras pessoas também: NEM TODO MUNDO VIVE O QUE DIZ, E É QUEM PARECE SER.

Em meio a cabelos lisos, loiros e hidratados, cinturas refeitas, dentes que poderiam ser hipotecados, é normal termos a impressão de que a vida da pessoa vai de vento em poupa. Crescemos em maioria numa sociedade onde somos superexpostos. Isso mesmo. Nos acostumamos a Facebook, Youtube, Snapchat e se você for mais velho, só um pouquinho, vai lembrar do twitter. Pessoas de papel, vivendo vidas de papel. Até posso dizer que vivem padrões de papel muito facilmente.

Elas se sacrificam. Deixam a personalidade delas em uma prateleira para caber numa era de mentes anoréxicas. Preocupam-se tanto com isso, pagando o preço de se perder dentro de si mesmas pra inflar o ego. Elas ainda terão uma vida complicada, serão tão indecisas, insatisfeitas e infelizes quanto as outras. O fato é que, tenho pena dessas pessoas. E pena de quem passa horas querendo ser como elas.

Isso é cretinamente enfadonho. Um circulo viciante onde pessoas desgostosas deixam outras mais insatisfeitas ainda. Elas não fazem mal só para ela mesmas, carregam pessoas – de modo involuntário ou não – para o mesmo lugar onde elas estão: presas em aparências. Não vale a pena, posso garantir. É igual querer ser um Power Ranger. A fantasia vai ficar linda em você, mas mesmo assim, não vai dar pra morfar.

No fim, as aparências deles não servem pra nada. Não estou dizendo que você ficaria feio se quisesse fazer qualquer intervenção ou mudança. Tá tudo bem se quer mudar o corpo que você veio pra se sentir melhor. Nós vamos ficar com ele até morrer, por que não mudar se achar que fica melhor? Mas a questão, é o por quê querer isso, e o que você está disposto a trocar por isso. Ter cuidado com o que você deseja.




Se substituir por um padrão não vale a pena. Quando você chegar nesse padrão que o seu feed mostra, no fim do dia vai se sentir bem só até se olhar no espelho. Arrumar o exterior pra curar por dentro não adianta. No fim do dia, a autoestima baixa vai te afetar. Cedo ou tarde ela vai bater na porta e vai entrar sem tastavelar, e nunca mais te solta. Nunca se sabe o que a pessoa deu em troca disso, e se a vida dela é o que se prega. Fingir é fácil, difícil é mexer com o que incomoda a gente, pra melhorar. Buscar evoluir. Ver que a nossa essência é mais do que a aparência. Que mais vale uma batata frita e chopp com as amigas do que comer salada sozinha. Mais vale se descabelar dançando e ficar rouca de tanto rir, do que tirar 15 fotos pra postar uma.

Hoje, ao rolar o feed do meu instagram, depois de pensar em tudo isso, resolvi focar na felicidade. Chamei as amigas que eu não via a um bom tempo pra rodada de pizza e quer saber? Eu tenho é pena de quem não comeu esse peperonni e não ouviu nossas histórias repetidas.

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