Nossa colisão

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Nós colidimos. E não, não foi uma colisão tipo a que uns cientistas descobriram, para eles a lua surgiu através de uma colisão cataclismática. Nossa colisão não gerou algo lindo e tão brilhante como a lua. Colidimos e isso não deu origem a nada, exceto a uma grande dor que fez meu peito arder e tirou toda a minha vontade de sair de casa por quase três semanas.

Quando você saiu batendo a porta eu jurei que ficaria bem, é claro que essa promessa só durou os 5 primeiros minutos, o tempo exato para você não mais ouvir lá do corredor os meus gritos ensurdecedores.

Eu fui perdendo pe-da-ços de mim. Quando notei já não era mais aquela menina que amava procurar significado de palavras, não era porque todas as palavras existentes na língua portuguesa me lembravam você. O que doeu ainda mais foi quando os meus neologismos deixaram de fazer sentido porque você não estava mais lá pra ler. Eu sai do centro da minha vida pra te deixar subir quando você nem lembrava mais o caminho de volta pra casa ou como o meu sorriso saía fácil quando estávamos juntos.




Eu te deixei assumir o controle quando você estava ocupado demais fazendo o que eu devia estar fazendo desde o princípio — cuidando de si mesmo. Nos desviamos do nosso próprio eixo e colidimos. Não foi fácil, até hoje vivo juntando caquinhos por aí. Já não tenho a esperança de te encontrar em qualquer esquina, e caso isso aconteça, te peço que não me olhe tempo demais. Eu não sei se conseguiria sobreviver a mais uma troca de olhares.

Todos os dias eu desejo que sua imagem saindo e não mais voltando saia da minha cabeça, todos os dias lembro a mim mesma que não é você. Não é você na esquina, não é você dentro daquela loja, não é você naquele carro e não é mais nossa a música que denominamos há algum tempo. Minha cabeça não é boba, ela vai se acostumar, até a hora que de fato esquecerá.

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