Não repara a bagunça

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 O fato é que tô uma bagunça. Uma bagunça bem maior do que a do meu quarto, uma bagunça maior do que a que está sobre minha cômoda nesse momento me esperando levantar e arrumar aquele monte de maquiagem espalhada. Tô uma bagunça daquelas grandes, daquelas que não sei nem por onde começo a sentir, muito menos falar. 
   Tô uma bagunça tão grande que não sei se quero ver um filme de drama daqueles bem tristes e desidratar de tanto chorar ou se quero ir para uma festa e dançar até esquecer todos os meus problemas. 
  Mas isso é só por dentro.
   Por fora eu ainda sou a mesma. Eu ainda rio com minhas amigas, e finjo que está tudo na mais perfeita ordem. Eu ainda estou fingindo quando digo que estou bem e no fundo isso é o melhor a se fazer. Eu ainda lavo meu cabelo e hidrato duas vezes por semana. Nos finais de semana você ainda vai me ver de maquiagem, não espere menos que isso. 
   Mas por dentro, ah meu filho, por dentro…
   Por dentro eu tô me questionando sobre toda e qualquer decisão que tomei na vida. Eu tô me perguntando onde eu fui parar. Eu tô me perguntando se tenho alguma amizade verdadeira e me sentindo mal por provavelmente não ter. Por dentro eu talvez ainda tenha meus quatro anos.  Eu ainda sonho em acordar na minha cama, com meus gatos e meus problemas que não eram nada. Eu sonho em fazer tudo diferente, eu sonho em ser diferente. E acredito que um dia vou conseguir, mas enquanto esse dia não chega me resta fingir. E quem sabe fingindo e consequentemente fugindo, eu não me ache? Baita bagunça né? Que nada, já tô acostumada.
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