A nossa estrela.

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Um céu estrelado é uma das coisas mais bonitas que eu já vi em toda a minha vida, me transmite uma paz imensa e me sinto acolhida por aquelas luzinhas brilhantes. Um dia me disseram que algumas estrelas, as mais distantes, já estão mortas, mas que dava para as ver com um microscópio; então lembrei de você.
Foi em uma noite de um sábado de março que fui enxotada de sua vida e seguimos caminhos distintos. Fazem 104 dias que te vejo com outros olhos.
Minha paixão, tão viva e acesa, se apagou há muito tempo e o nós da gente nunca vai ser recuperado.
Mas este final de semana eu te vi, te vi de longe com seu olhar tímido e seu jeito sem jeito típico seu. Neste instante peguei meu microscópio e te admirei, lembrei de nossa estrela, do quanto ela brilhava e do quanto nossos corpos se esquentavam com seu fogo, para mim aquele era o mais lindo espetáculo já visto. A luz viaja cerca de 300.000 quilômetros por segundo, e era como me sentia com você: viajando em uma velocidade fora da capacidade humana, extremamente rápida e no espaço, me sentia fora deste mundo e de toda a realidade brusca que me fazia revirar os olhos e me fazer pensar que era insignificante.
Confesso que vem uma sensação um tanto quanto boa em meu peito quando lembro desse tempo, nossas chamas eram maiores que qualquer coisa, e brilhávamos até de dia, a luz solar era muito pouca coisa para nos apagar.
Mas, acabou.
A nossa estrela morreu.
Só não prometo não pegar meu microscópio,
de vez em quando
para lembrar do brilhos’
e tentar me esquentar
nesses dias frios de junho.


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