AQUI DE CIMA TUDO PARECE PEQUENO

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    Uma vez – não tem muito tempo – me falaram que eu via os problemas do ponto de vista de uma formiga. Sim, pequenina. Eu não entendia muito bem, achava que o que queriam me dizer era “para de choramingar porque seus problemas não são tudo isso”. Não era bem assim.
     Eu era uma formiguinha que carregava o peso do mundo inteiro nas costas sem nem ao menos notar a dor na coluna que mal me deixava respirar. Eu via aquela montanha enorme e me assustava tanto que ficava parada, estática. Eu esperava a montanha se mover sozinha, sair do meu caminho e me deixar seguir o meu rumo.

     A montanha continuava lá. E eu? Continuava esperando. 

     Um dia, cansada de carregar tanta coisa, joguei tudo no chão. Olhei para montanha com determinação e deixei que meu corpo de formiguinha virasse a mulher que eu sou hoje. Arregacei as mangas, cruzei os braços e dei um passo. 


     A montanha era uma pedra.

     Eu chutei-a com a ponta do pé lá para longe e percebi que meu caminho esteve sempre livre. Eu escolhia ficar dolorida. Realmente, meu ponto de vista era tão pequeno que me tornava pequena, porque eu sempre fui grande.

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